17 de mai de 2013

Quando um crente fica enfermo é por que está em pecado?


“Quando um crente fica enfermo é por que está em pecado”. Esse ensino é anti-bíblico, enganoso e com consequências desastrosas.
Por Ezequiel da Silva
hospitalMe preocupa a intolerância dos crentes em face de doença sobre si ou sobre os outros. Todos nós, enquanto estivermos aqui na terra, estamos sujeitos às enfermidades, doenças, vírus, etc. Mas, isso não significa que os que de nós são afligidos, estão em pecado, ou vida espiritual fracassada, ou que se trata de uma maldição, por assim dizer.Claro que não estão descartados os efeitos da teologia da Queda, estudada na Hamartiologia (Doutrina do Pecado na Teologia Sistemática), basta entender o texto bíblico de Romanos 5.12 em que esclarece a entrada da morte no contexto da vida humana por causa do pecado. É preciso ter bom senso, sobretudo bíblico, para não julgar temerariamente uma pessoa (ou seu familiar) por está passando por uma crise, seja ela no campo físico, emocional ou psicológico. Atribuir a esta pessoa em crise de enfermidades ou doenças que ela está em pecado por estar enfrentando uma doença é, no mínimo, assentar-se na cadeira de juiz e determinar a sentença. E, por outro lado, é desconhecer os desígnios divinos específicos para a pessoa enferma. Aliás, como bons "fariseus", os tais julgadores, só vão descobrir a triste sina, quando a situação recair sobre si ou sobre sua família. Como uma diferença, agora, os tais imploram por misericórdia de Deus e reclamam do descaso dos outros para com a sua dor. Inclusive, que nada cometeram para estarem sofrendo assim! Bom… Como diz o adágio popular: “pimenta nos olhos dos outros é refresco”.Poderia desenvolver uma exegese acurada. Mas, sem querer entrar no âmbito da discussão de textos bíblicos, que parecem ligar o pecado à doença (a maioria dos textos e passagens inteiras, são soltas e isoladas), se faz necessário entender o que Jesus Cristo disse: "no mundo tereis aflições…" (João 16.33). A expressão “aflições” tem a mesma raiz de “tribulação” (thlipsis, gr.). O Senhor não prometeu "mar de rosas" para ninguém que quisesse seguir o Evangelho. Nem as epístolas – a Bíblia como um todo – confirmam que os crentes viveriam em "céu de brigadeiro". Estamos num corpo físico e num plano terrestre, suscetíveis às doenças, aos vírus, às bactérias e diversas enfermidades. É natural que um ser humano (inclusive crentes) seja atingido por uma ou outra. Algumas doenças são temporárias, outras de longo prazo, algumas são enfermidades que até levam à morte. E, então, a morte é o fim para os que servem a Deus? Somos tão fatalistas, que desconhecemos o poder curador e remidor de Cristo? Jesus disse: "Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus" (Mateus 22.29). Será que pregamos uma coisa e vivemos outra? Ora, não é a fé que nos levará a ser curados por Jesus? Mas, a Fé envolve três importantes aspectos: Fé Natural, Fé Salvadora ou Salvífica e Fé como Dom Espiritual.

Levemos em conta também o lado da provação de Deus sobre o crente. O Senhor, às vezes, coloca a nossa fé em prova (como fez com vários personagens da Bíblia). E quantos de nós pecamos, porque blasfemamos contra o Senhor, alegando para Ele a nossa adversidade. Que Ele se esqueceu de nós e assim por diante… Então, vejamos, e se o crente não receber a cura e/ou morrer (ou até um membro de sua família) em consequência de uma doença? É por causa do pecado? Nem sempre! Admitir isso é julgar. E só quem pode julgar vivos e mortos, unicamente, é Deus (2 Timóteo 4.1; 1 Pedro 4.5). Por óbvio, ainda que o crente venha a morrer, e se estiver gozando de saúde espiritual, operou nele a fé salvadora. Deus, em sua soberania, não o permitiu permanecer na terra dos viventes, mas, o elevou ao pódio da glória eterna, através da fé. Paulo, o apóstolo, concluiu “combati o bom combate, acabei a carreira, e guardei a fé” (2 Timóteo 4.7). O problema é que nós não queremos enfrentar a morte. E isso é fato! Então, teólogos pós-modernos criam doutrinas insustentáveis biblicamente, a fim de tentar equacionar o "mistério da fé". Isso não quer dizer que não devemos lutar com as nossas forças humanas para combater a enfermidade. Não está se dizendo que não deva exercer a fé para ser curado. Também, não está se admitindo, que por causa da soberania divina, devo cruzar os braços e aceitar a desdita. Não é assim que a Bíblia ensina. Lembremo-nos que há doenças que são para a glória de Deus.


O foco dessas linhas é advertir ao leitor que não podemos, em hipótese nenhuma, atribuir pecado, maldição ou qualquer outra teologia, sobre quem está enfermo. Se assim fizermos passamos de súditos do Reino, para juízes do Reino. Não seja um "fariseu moderno" disseminando por aí que seu irmão está em pecado por estar enfermo. Mesmo que o fosse, a sua obrigação é a de orar por ele, pois, nesse Reino não há lugar para dois juízes. Só há UM. Leia a Bíblia. Estude-a.

Edição: Searanews (Facebook). +Pr. Paulo Pontes