31 de out de 2013

SALVE A REFORMA.

SALVE A REFORMA
Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Sola Scriptura, Soli Deo Gloria.




Hoje, 31 OUTUBRO, é comemorado "o dia da Reforma Protestante", portanto, há 496 anos. Martinho Lutero foi o expoente da Reforma, contudo o movimento não foi iniciado por ele diretamente, houve os bastidores da Reforma. O movimento reformista data da época dos Valdenses. Os ideais reformistas foram levados avante pelos pré-reformadores, homens sérios, pertencente em sua maioria ao clero, voltados para os estudos sistemáticos da Bíblia Sagrada, que se opuseram aos ensinamentos errôneos da Igreja Católica Romana sobre a reverência as imagens, a venda de indulgências, a infalibilidade papal entre outros. E passaram a lecionar ao povo leigo sobre a verdadeira mensagem do Evangelho de Jesus Cristo. Entre eles: Calvino (França), João Huss (Leste Europeu), John Wycliffe (Reino Unido), Zuínglio (Suíça) e John Knox (Escócia). Mas, foi no início do século XVI, o monge alemão Martinho Lutero (Alemanha), abraçando as idéias dos pré-reformadores, proferiu três sermões contra a compra de indulgências em 1516 e 1517. Em 31 de outubro de 1517 foram pregadas as 95 Teses na porta da Catedral de Wittenberg, com um convite aberto ao debate sobre elas. Esse fato é, historicamente, considerado como o início da Reforma Protestante. Em janeiro de 1521 foi realizada a Dieta de Worms, que teve um papel importante na Reforma, pois nela Lutero foi convocado para desmentir as suas teses, no entanto ele defendeu-as e pediu a reforma. Em face disso, deu-se início a Contrarreforma, onde o catolicismo empreendeu ferrenha luta para expurgar os "hereges". Nascia assim a "Companhia de Jesus" (os Jesuítas) e a Inquisição que perseguiram e mataram os protestantes huguenotes culminando no sangrento dia histórico conhecido como "o massacre de São Bartolomeu" na França.

História à parte, a verdade é que se faz necessário repensar a Reforma. Os primeiros protestantes reunirem-se em casas e depois em templos modestos. O ponto alto era a pregação do Evangelho de forma simples, buscando a conversão para o caminho da salvação em Cristo àqueles que estavam em trevas. A Reforma teve o seu valor inestimável, por tudo que representa. Sangue foi derramado e vidas ceifadas por causa dos novos ideais e a bandeira do retorno à simplicidade do Evangelho de Cristo.
Entretanto, atualmente, existe uma crise de identidade no Protestantismo. A começar pelos rótulos. Lembro-me que, na época de criança, que eram chamados de "protestantes", depois de "crentes". Veio o movimento do Espírito, e denominaram-se "pentecostais". Não muito depois, fazia-se uma diferença entre as próprias igrejas históricas e entre as históricas tradicionais e as pentecostais. Até que convencionou-se o nome de "evangélicos". E hoje houve uma subdivisão entre os pentecostais: os históricos, os pentecostais renovados e os neopentecostais.  Agora, a nomenclatura mudou para "gospel" ou o nome da igreja local ou o nome do líder-pastor. Quero dizer, o termo evangélico ainda prevalece, mas se tornou moda identificar o líder ou a denominação.

Na década de 90, ser evangélico era "status". Mas, nos tempos da minha infância ser protestante era marginalizado pela sociedade, principalmente, pela igreja dominante, alguns passavam e nem cumprimentavam pelo fato de ser protestante. O protestante, assim chamado pelo seu protesto e pregação contra o pecado , a idolatria, contra uma vida desregrada, fora da presença de Deus e contra a pomposidade, pregando-se a simplicidade de ser "crente" em Cristo, seja nos templos, casas ou em praças. Época em que as igrejas eram apedrejadas e incendiadas. Os crentes eram apedrejados em praças públicas. O protestante era amado e odiado, ao mesmo tempo. Porém, todos tinham um profundo respeito pelo homem e a mulher protestante. Sabiam que um verdadeiro protestante comprava e pagava, não dava cheques sem fundos, não assinava uma nota ou letra que não pudesse arcar. Cumpria o que prometia e não prometia o que não pudesse cumprir. Eram transparentes em seus negócios e no trato com as pessoas. Viviam uma vida simples, contemplativa e santa (alguns possuidores de diplomas, bens e altos empregos). Hoje, tem alguns evangélicos que nos causam vergonha e ojeriza pelo seu comportamento público repugnante.

Mas, nos tempos atuais, observa-se que esses ideais já se foram, há muitos, esquecidos pelos protestantes hodiernos. São inúmeros e graves, os problemas que nos afetam.  Ensinamentos discrepantes àqueles dos reformadores e muito mais longe dos ensinamento de Jesus Cristo e dos Apóstolos. Os ideais atuais estão voltados para a prosperidade a qualquer custo, os enriquecimentos dos ministros (às vezes ilícitos ou fraudulento), a idolatria pastoral insuflada pelo narcisismo de alguns líderes que gostam de ouvir o som da própria voz, o clero evangélico forte, despreparado e sem temor a Deus, os carros e casas luxuosos e templos imponentes que brilham com o resplendor do sol, quanto maior e mais esplendoroso for, maior prestígio goza o ministro. São as artimanhas políticas engendradas dentro das barricadas clericais, que sempre terminam em desafetos, e pior, prejudicam a Igreja e arranha significativamente o Evangelho. São as cobranças de cachês para pregar e para cantar para homens e mulheres que (com exceção) nunca deram um dia de sangue e suor para a nação. Não que seja contra abençoar o pregador ou o cantor dentro dos limites da igreja, e os tais saibam administrar seu quinhão junto a família. Estou falando de quantias exorbitantes e impostas - "se não der eu não vou". Ou fala que vai e mente descaradamente, indo para outro lugar que melhor lhe convém e satisfaça a sua ganância. E o pior... O povo fica esperando esse tal pregador ou esse tal cantor, que não apareceu. Sem falar naqueles Líderes que entregam o pastorado para outro a troco de grande soma - "de porteira fechada" ou entrega a igreja e vai para outra que lhe está lhe oferecendo maior renda eclesiástica, como se fosse um clube de futebol. Líderes que não se contentam com um título ministerial e criam cada vez mais rótulos nobiliárquicos do clero evangélico.  Como estamos equidistantes da mensagem genuína da Bíblia Sagrada e princípios reformadores e bíblicos.

Por outro lado, não são ensinamentos arminianos, calvinistas, luteranos nem de qualquer outro teólogo, cuja tese tem grande repercussão e discussão, que fazem a diferença do que está certo ou errado na vida cristã ou na salvação do homem. É por essas e outras razões que o espaço não me permite enumerá-las que entendo, e o nobre leitor há de convir comigo, que precisamos urgentemente de salvar a Reforma ou de reformar na Reforma Protestante. Devemos saudar o aniversário da Reforma, mas, não se tem muito para se comemorar. Não está se falando em ser retrógrado, saudosista e ultrapassado.  O que precisamos é retornar aos princípios da Palavra de Deus, voltar a simplicidade e transparência do Santo Evangelho.

Devemos, urgentemente, voltar a pregar em nossos púlpitos, dizendo que Jesus salva, cura, liberta e que em breve virá. Retornar aos princípios reformadores e bíblicos que a salvação do homem é somente pela graça, e somente através da fé, e somente na pessoa de Jesus Cristo, e somente por intermédio das Escrituras Sagradas e, finalmente, somente a Deus criador e sustentador de tudo, seja dada a glória, eternamente. Boa Reforma. Amém.