6 de out de 2012

ELEIÇÕES. Reflita sobre isso.


ELEIÇÕES. Reflita sobre isso.





Como formador de opinião, sinto-me na responsabilidade de me dirigir a todos os evangélicos, aos leitores do Seara News em geral, para expressar minha opinião sobre as ELEIÇÕES. O que vou falar aqui, claro, tem as suas exceções, reservadas as proporções, considerações, observações, ponto e vírgula, vírgula, etc.
Estamos na semana da democracia quando, no próximo domingo, dia 07 de outubro, o povo brasileiro estará indo às urnas eleitorais para escolher os seus representantes da municipalidade: Prefeito e Vereador. É tempo de reflexão no que diz respeito à SAGA DA CORRUPÇÃO nas suas mais diversas formas, principalmente, em tempo de Eleições gerais ou municipais.
Por muitos anos, os evangélicos, regra geral, foram considerados como "massa de manobra", "povinho de quinta", "farelo do fundo do saco". Nas Eleições os candidatos se aproximavam (e ainda se aproximam) das igrejas, com o intuito de fazer acordos, muitos destes espúrios e desonestos, com os líderes das igrejas que se deixavam envolver pelas falsas promessas ou por benefícios dados diretamente ao líder. O líder ou por esperteza ou por inocência (ficaremos com o benefício da dúvida…) lançava o candidato à tira-colas e o levava a presença dos santos em suas reuniões de adoração. O camarada profano, quase sempre tinha saído de um lugar profano e em chegando ao culto ao Senhor, era chamado a se assentar nos sagrados (deveria ser!) púlpitos das igrejas evangélicas. Um lugar em que deveriam assentar-se Ministros consagrados do Senhor, lugar de se trazer a revelação da Santa Palavra do Evangelho, torna-se um lugar promíscuo. Eu não diria um covil de bandidos e salteadores (iiiiihhh, falei. Pronto). O Espírito de Cristo que é santo está se revolvendo-se no trono em asco, ojeriza, nojo e profunda ira por conta da profanação que se faz ao santuário e ao seu santo púlpito.
E pior, ao apresentar o candidato, o líder só faltava colocá-lo ao lado direito de Jesus no céu, sendo contemplado por querubins e "anjinhos". Isto, para não falar que quase sempre, o líder apresentava, em dias diferentes, três ou quatro candidatos como sendo "o seu candidato e da igreja", incentivando num discurso inflamado para os irmãos votarem naquele candidato do dia, pois ele tinha ajudado a igreja. Pasmem! Tais líderes nunca discursaram ou pregaram tão efusivamente para ganhar vidas para Cristo. Hipócritas! Não sabem esses líderes que, ao saírem do culto, tais candidatos voltam para suas rodinhas profanas, zombando da Noiva do Cordeiro e daquele que deveria portar-se como sacerdote do Deus altíssimo e que, neste ato, está em falha diante do Senhor. Oh não! Deus está a punir adultérios e outros pecados "cabeludos", dizem. Mentiras e corrupção, não! Até aonde se percebe, na farra da corrupção, há corruptores e corruptos. Estes são presas da teia da corrupção. Aqueles estão à espreita de achar o primeiro "trouxa" (desculpe-me, é o que eles acham de nós!) que aparecer, pedindo um caminhão de brita, telhas, um milheiro de lajota, etc., para "ajudar" na construção do templo. A corrupção não é só "dinheiro na cueca", malas de dólares. Ela está também circundando os púlpitos, pervertendo as mentes incautas dos líderes.
Cadê a tão pregada fé, crer no invisível, a prosperidade; será que Deus não é mais dono do ouro e da prata? Bem… Deixemos isso, por enquanto.
Hoje, este quadro, graças a Deus, está sendo, aos poucos, revertido. Uma nova safra de líderes e membros, comprometidos com o Reino, se erguem contra tais acordos e não se quedam à negociatas. As igrejas evangélicas, em sua maioria, estão mais politizadas, com uma membresia mais racional, aculturada. A postura da igreja, atualmente mudou, não é mais influenciada pelo juízo alheio.
O Culto é sagrado, é divino, é para o Senhor, para Sua única e exclusiva adoração. Se o candidato, servo de Cristo, for convidado para se fazer presente que seja recebido como servo de Cristo, inclusive se oficial for. Se o candidato não for servo de Cristo que seja recebido também com honra, como ordena a Bíblia, mas, não é necessário levá-lo para o púlpito; ele pode ficar, à frente em lugar reservado, junto aos demais irmãos. Procure conhecer as propostas do candidato e ao final do culto, o líder faz menção das reais pretensões, e que as propostas daquele candidato estão à disposição de todos para serem apreciadas, sem induzir a igreja a votar neste ou naquele candidato.
Irmão e irmã, não negociem a sua consciência e o seu voto. Vote consciente! Não por uma lajota, um saco de cimento, ou um benefício aqui ou ali. Se faz necessário, vir a proposta do candidato se esta: traz benefícios para a população? É coerente com a Bíblia? Satisfaz a coletividade?
O que dizer do cristão evangélico na política partidária. É imprescindível e urgente. Temos que ter representantes crentes, compromissados com a ética bíblica para servir a comunidade; e não compactuar com acordos mesquinhos, beneficiando a igreja local ou setorial. O candidato do Executivo ou do Legislativo (Parlamento) uma vez eleito, no exercício de seu mandato, não pode usar de suas prerrogativas só para ajudar a igreja. O povo evangélico está inserido no contexto social (polis) em que o político trabalha (ou devia) em prol de todos e para todos (princípios basilares da democracia). Aristóteles, em sua famosa obra "A Política" define o cidadão a partir do direito de voto: "Portanto, o que constitui propriamente o cidadão, sua qualidade verdadeiramente característica, é o direito de voto e de participação no exercício do poder público em sua pátria".
Todavia, se o crente desviar a sua conduta ética, moral e cristã quer no Parlamento quer no Executivo, deve ser disciplinado pela igreja. Eu vou um pouco além (meu pensamento!) se um pastor-presidente, apóstolo ou bispo se candidatar, deve deixar compulsoriamente a administração direta da igreja que preside, podendo retornar se não for eleito ou quando terminar o mandato. Desculpe-me quem pensa diferente, mas, a meu ver, água e óleo não se misturam. A política e Igreja estão equidistantes anos-luz, institucionalmente. E todos sabem disso.
Tem outra coisa: é inadmissível, inaceitável que profetas ou profetisas do Senhor (quando o são) emprestam a suas bocas para profetizarem, em nome de Deus, a vitória desse ou daquele candidato. Absolutamente. Não brinque com o Espírito de Deus e com o dom que há em ti, PROFETA. Ora, convenhamos: se existe uma eleição com voto secreto, que depende da vontade do povo, porque Deus vai interferir, nesse caso, no processo humano para agradar uns e aborrecer outros. Se fosse assim não precisava de eleições com voto secreto, era só subir "Betel" que o profeta falaria – estás eleito, assim diz o Senhor. Profeta ou Pitonisa??!?? Creio sim, no controle universal de Deus em todas as coisas prevalecendo a Sua santa, perfeita e agradável vontade. Pare de bobice ou devaneios interesseiros, pois, "horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo." (Hb 10.31).
Contudo, para conhecer a vontade de Deus, neste caso específico das eleições no Brasil e nos países democráticos, o povo tem que ir às urnas, em uns países o voto é obrigatório (como no casso do Brasil) e em outros não. O Brasil não é um país teocrático e, sim, uma nação democrática e laica (onde o Estado não tem uma Religião definida); e cá prá nós, Deus respeita isso!! Nem Israel é mais uma teocracia (ainda que creiam no Deus vivo – Deus de Abraão, Isaque e Jacó). Israel é uma nação parlamentarista, desde 1948, através do Knesset judaico. E Deus respeita isso!
Agora, companheiro Ministro do Senhor, nunca, jamais, se envolva ou envolva a igreja de Cristo em corrupção, escândalos, vantagens e outras mazelas que aparecem nestes tempos eleitorais. O líder e o rebanho são de Cristo e é ELE quem cuida de sua Igreja.
Concluindo, não peço desculpas pela forma franca com que abordo o assunto, olhando para mim mesmo, pois estou sujeito a falhas, sendo imperfeito como sou. Cumpra o seu dever como cidadão desta terra, sabendo que somos cidadãos dos céus, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo. # Fica a dica. #
Ezequiel Silva é pastor, teólogo, bacharel em Direito e articulista.
escrito por Pr. Ezequiel da Silva
Pr. Ezequiel da Silva
Bacharel em Teologia, Conferencista, Educador Cristão e Pregador do Evangelho. Pastor, líder da AD-Central em Cachoeiro de Itapemirim-ES. Diretor e Professor do SEMEC – Seminário Evangélico Mensagem da Cruz. Diretor e Professor do SETEADEC – Seminário Teológico Evangélico da Assembléia de Deus Central

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