25 de set. de 2014

O QUE É OVELHAR ???


Na década de 70 existia um slogan do Governo Federal que dizia: "a união faz a força".



Desde os tempos bíblicos do Novo Testamento, nos primórdios da Igreja, já se ouvia falar em expressões como: unânimes, comum, unidos e reunidos. Em Atos dos Apóstolos 4.32, está afirmado que era "Um o coração e alma da multidão que cria." (grifo nosso). Os crentes da Igreja primitiva, "e, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração..." (Atos 2.46). Havia um intenso desejo do povo em compartilhar as bênçãos materiais e espirituais, assim como as vitórias; mas compartilhavam também as perdas, as aflições, a solidão, sem deixar de incentivar uns aos outros a "batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos." (Judas v.23). O amor fraternal era tão contagiante que os crente repartiam caridosamente com aqueles que estavam em necessidade. (Atos 2.45) De sorte, que nada era obrigatório. Tudo era feito em parceria, em comunidade, em comunhão e amor fraternais. Quando uma igreja ou pessoas não estavam enquadradas no padrão comunitário, imediatamente, os apóstolos se dirigiam, por meio de carta, para exortar à igreja, líder ou pessoas, senão vejamos: "Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissenções; antes sejais unidos em um mesmo sentido e em um mesmo parecer." (1 Coríntios 1.10). "Rogo a Evódia e rogo a Síntique pensem concordemente, no Senhor." (Filipenses 4.2 ARA). De maneira que, a Igreja seguia o Caminho, em comum acordo. A igreja em Corinto não estavam falando a mesma linguagem e;  em Filipos haviam duas mulheres da liderança que não compartilhavam da concórdia para o bem da igreja.

O que acontece com os crentes da atualidade? Claro, que não se espera voltar aos padrões da primitiva igreja. Porém, aos princípios, sim! Entretanto, quando se fala em amor nos cultos, em comunhão, cai uma gélida friagem sobre os crentes. Você não ouve um "AMÉM" ou "ALELUIA", ou ainda, "TRANSFORMA-ME SENHOR". " TE ADORO SENHOR, POR ESTA PALAVRA" Por que? Respondo: somos deficitários do amor e da comunhão. Legados primordiais da união. Continuaremos nanicos espirituais, porque torcemos contra, ou, puxamos ao contrário. É preciso mudança em nós. Olhar de Reino e não de "trono". Estamos pensando, primeiramente em nós e depois, se der, no OUTRO.

Não se ouve mais testemunhos de irmãos que foram tocados pelo amor de Deus para realizar tal e tal tarefas. E quando alguém é tocado, o outro carnal diz: - "está querendo se aparecer". Não se compartilham uns com os outros. Não há comunhão. Não há união. A Bíblia diz enfaticamente: "comunicai com os santos as vossas necessidades". (Romanos 12.13). Comunicar, falar entre si, comungar. Este é o sentido. No caso, as necessidades, não são somente as famélicas, mas também, as espirituais, as pessoais, as sentimentais. Todavia, o problema está "no santo" a quem se comunga ou comunica. O "santo" ao invés de ir orar, passa para outro "santo", que tem um terceiro "santo" amigo e, ai vira uma colcha de retalhos.

Pensando nisso, criei o verbo "ovelhar". O que é isso? É a comunicação, a conversa de ovelha - o balido de crente. Você não encontrará este verbo em gramáticas ou dicionários, mas uso aqui para dizer que as ovelhas do Senhor Jesus Cristo precisam aprender a ovelhar mais. Em retiros, passeios, um dia só pra andar e conversar uns com os outros. Aproveita, chega um pouco mais cedo ao templo, antes do horário do início do culto divino, e compartilhe aquele sorriso, aquela experiência (fofoca não, vamos combinar), as animações e expectativas, as bênçãos e vitórias. Inclusive, os problemas e aflições que nos sobrevêm. Evidente que, na hora do culto a que se reverenciar o divino. Na hora da evangelização, dos culto ao ar-livre a que se promover o Evangelho.

No entanto, ovelhar faz parte da sociologia de grupo, em que as pessoas integrante daquele convívio social compartilhem entre si, comunguem-se os assuntos mais diversificados, desde que não firam a ética cristã. O pensamento está no coletivo, pensamento grupal. No dizer da educadora Hanna Arendt: visa atender O OUTRO e as suas necessidades.  (Faz me lembrar as aulas de Sociologia, dos temos da faculdade, com a querida prof. Inês Rezende rsrsrsrs).

Nesse caso, é o ponto culminante, a comunicação entre grupos sociais na igreja. O OUTRO é o mais importante do que eu. Este deve ser o apogeu do pensamento social. E é na igreja que deveria ser o lugar de refúgio, de afago, de demonstração de afeto. Alguns, pela sua carência ou pela síndrome da rejeição tem necessidade de ser visto, se ser notado. Não é "massagem de ego". Há casos  que são complexos de inferioridade mesmo.

Se compreendermos essa realidade, aquilataremos o que o Senhor Jesus disse: "Portanto, tudo o que vos quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas." (Mateus 7.12).  Assim, urge voltarmos, pois, aos princípios do amor, da comunhão e da união fraternais, até então, bem esquecidos.


8 de jul. de 2014

HUPERETES - A Palavra do Ministério Cristão

HUPERETES - A Palavra do Ministério Cristão




Por: Ezequiel da Silva


Primeiramente, não quero ser voz única nessa matéria, até porque não sou esmerado em línguas originais da Bíblia. Sou apenas um pesquisador. Outros colegas já escreveram sobre este importante tema; então, segue mais uma elucubração do assunto. Minha abordagem será do ponto de vista da vida e chamada pastoral na atualidade, com imparcialidade e honestidade, pois, invariavelmente, sou devedor e carente.


Assim, qual é o significado do sacerdócio ministerial cristão? Porquê tantos querem ser ordenados? O que leva muitos a almejarem a liderança de uma denominação cristã? As perguntas são pertinentes e atuais e, talvez, alguns já tiraram conclusões precipitadas acerca destes homens e mulheres, parcela da sociedade, independente do credo ou denominação cristã.


Mas, o que significa ser ministro do Evangelho ou sacerdote cristão? Os manuais e dicionários bíblicos ou léxicos do grego do NT trazem suas definições brilhantes e adequadas. Contudo, várias delas são tecnicista, acadêmica e não reflete o ideal do ministério pastoral. É um fato bíblico o que está escrito em 1Tm 3.1: "esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja." Há uma diferença abissal entre alguém que é vocacionado para o ministério e alguém que acha que é?


Numa visão panorâmica, são milhares de "ordenados" e estão às vistas de todos nos púlpitos das igrejas, mundo à fora. São ordenados "à rodo" pelas mais diversas denominações. É evidente é que, nessa leva tem muitos que se autointitulam ministros; criam suas próprias denominações; seus nichos religiosos. Em tese, assim o fazem porque não querem estar debaixo de autoridade, não aceitam nem se submetem a uma autoridade eclesial.


- "Sou, agora, um ministro do Evangelho" - arrota (ops!), de maneira arrogante, o noviço ordenado, de posse de sua credencial, várias vezes exibida. Acha que chegou o ápice de sua carreira ministerial, quando na verdade, está apenas começando, se é que foi chamado. Infelizmente, é possível que morra no nascedouro (por favor, entendam, não estou amaldiçoando ninguém. É só uma pálida sombra da experiência dos poucos 24 anos de ministério deste servo).


Entretanto, ser ministro do Evangelho vai além de um título eclesiástico. Não deveria ter o glamour de um título nobiliárquico ou, simplesmente, um status social para ser aplaudido ou reverenciado pelos homens. Em Atos 26.16, lemos: "Mas, levanta-te e põe-te sobre teus pés, porque te apareci por isto, para te pôr por ministro e testemunha tanto das coisas que tens visto como daquelas pelas quais te aparecerei ainda;...". E também, lemos em 1Coríntios 4.1: "Que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus.


Nestes dois textos exemplificativos, observamos uma palavra que sobressai do textos gregos: huperetes (Gr. ὑπηρέτης), a palavra do Ministério. Nos manuais do Novo Testamento Grego, huperetes, diz-se daquele que é subordinado; aquele que serve ou está à serviço de alguém. Outra palavra que designa o termo grego é REMADOR. Huperetes era como chamavam aqueles escravos das galés romanas, que ficavam no fundo do navio para tracionar os pesados remos contra os mares, às vezes bravios, às vezes calmos. Inclusive, tem outra palavra neste mesmo texto bíblico que merece nossa atenção: DESPENSEIROS (do Gr. oikonomos - οικονόμος), que também tem tudo a ver com o assunto em tela. No entanto, sendo que a matéria dispõe de caráter próprio, tratarei em outra oportunidade, se o Eterno permitir!


Nesse aspecto, a natureza eclesiástica do ministro do Evangelho ou do sacerdote cristão é exclusivamente serviçal. Ele deve ser um servo da igreja e para a igreja, à serviço de Cristo. E, se fugir desse conceito, é o mesmo que abandonar a vocação e assumir a arrogância e a hipocrisia, que levam a muitos ministros do Evangelho ao fracasso, por não darem a glória devida Aquele que merece - Jesus Cristo, o Rei dos Reis.


Assim, além de huperetes, nessa mesma toada, vem o termo diácono (Gr. διάκονος) que tanto refere-se ao vocábulo SERVO, bem como, ao termo MINISTRO. O próprio Jesus Cristo foi nosso diácono por excelência quando declarou em Marcos 10.45: "Porque o Filho do Homem, também, não veio para ser servido, mas para SERVIR e dar a sua vida em resgate de muitos." (grifo nosso) Então: MINISTRO = SERVO; MINISTÉRIO = SERVIÇO.


Vamos direto ao assunto: o que está faltando à igreja são sacerdotes serviçais. Que sirvam a igreja com abnegação, coragem e determinação. Atributos que seguiram o ministério terreno de Cristo até ao Calvário. Os ministros (claro que relevada as devidas exceções) preferem estar nos banquetes de Pilatos, a jamais seguirem para o Calvário da vocação. Nesse particular, a vocação nem sempre é um calvário, mas há momentos que o ministro está a caminho do Gólgota.


Porém, os ministros de hoje não querem pagar o preço do ministério, do serviço do Reino. Não querem ter calos nas mãos como os remadores das galés romanas. A um grande grupo desses ministros que estão vivendo de holofotes, de estrelismos. O que importa para eles é pisarem na "calçada da fama". E para isso acontecer, mentem, pisam nos colegas, usam bebidas "socialmente" aceitas nas rodas de conversas, cometem fraudes e rombos financeiros. No palco da vida, recheado pelos cargos políticos, são artistas que manipulam como massa de manobra, os fiéis, para continuarem exibirem-se no cenário social que lhes interessam. Desprezam o conselho paulino em Filipenes 4.8: "Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai."


Ser ministro, é ser servo, submisso, um remador de galés; isto é, aquele que se esforça o máximo para servir a igreja do Senhor, a Noiva do Cordeiro, como bom pastor que dá a vida pelas ovelhas. Obreiros de mãos sangrentas, calejadas e dilaceradas pela força dos remos, nas águas conturbadas do serviço ministerial. Então, companheiro de ministério, está disposto a remar, e remar... Até que Cristo venha outra vez. Afinal, nos seus votos sacros, diante da igreja e do Conselho, você eu prometemos ser fiéis ministros (huperetes) de Cristo. Evidente é que todos temos os nossos defeitos, mas podemos tirar proveito disso quando sabemos valorizar e mensurar a graça de Deus sobre as nossas vidas.


Assim, a partir deste articulista, você e eu devemos voltar ao princípio do Ministro-Servo, Que está disposto a servir sem esperar recompensas, senão do Dono da Obra. Que está pronto a devolver a honra e a glória para o Senhor Jesus. Que está disposto a pagar o preço do exercício do ministério, e além de estar subordinado à autoridade de outro. E se for para remar, que seja um remador diferenciado.


Tendo em mente que a Noiva não é do ministro, como se fosse o seu dono; como, nos lembra as palavras do apóstolo Pedro: "nem como tendo domínio sobre a herança de Deus[...]"E, sobretudo está preparado como aquele que espera apresentar ao Rei, ao Sumo Pastor a sua igreja, imaculada e santa, afim de receber dEle a incorruptível coroa de glória." (1Pedro 5.4). É isso, gente amiga!


O termo Huperetes e a sua abrangência na lingua grega do NT:

MINISTRO, MINISTÉRIO - 3. Huperetes (ὑπηρέτης), um sub-remador (HUPO=sob; ERETES=remador) diferente de nautes = marinheiro. Depois veio a denotar ministros; subordinar qualquer ação sob a direção de um outro, em Lc 1.2.  Em Lc 4.20 ministro significa aquele que faz o serviço na sinagoga; um assistente; Jo 18.3,12. (Dicionário Vine em espanhol, p.731)

5257 - [...] um derivado de eressõ - remar - um remador subordinado, i.é, (de modo geral) subordinado (assistente, sacristão, oficial) - ministro; oficial, servo.
(III) [...] A respeito de um ministro da Palavra de Cristo (Lc 1.2; At 26.16; 1Co 4.1)
Deriv.: Hupéreteô, servir sob a direção de outra pessoa. (Bíblia das Palavras-Chave - CPAD, item 5257, pag. 2439)

ASSISTENTE; AJUDANTE -  Huperetes - remador subordinado, a partir daí, um servo ... traduz por "Ajudante" em Atos 13.5. (Dicionário Vine em espanhol, p.151)

DIÁCONOS, DIACONISA - Huperetes, um oficial subordinado a disposição de seu superior; originalmente, um remador subalterno em uma galé de guerra. (Dicionário Vine em espanhol, p.369)

ύπηρετέω - servir, prestar serviços, ser útil. At 13.36; 20.34; 24.23.* 
υπηρέτης, - servo, auxiliar, assistente Mt 5.25; Mc 14.54, 65; Lc 4.20; Jo 7.32,
45s; 18.18, 36; At 13.5; 26.16; 1 Co 4.1.  (Léxico do Novo Testamento Grego, p.213)
υποταγή ής, ή  - hupotage - sujeição, subordinação, submissão, obediência 2 Co 9.13; Gl 2.5; 1
Tm 2.11; 3.4. (Léxico do Novo Testamento Grego, p.215)



Espírito Santo, Brasil, Verão de 2014.

25.02.2014

31 de out. de 2013

SALVE A REFORMA.

SALVE A REFORMA
Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Sola Scriptura, Soli Deo Gloria.




Hoje, 31 OUTUBRO, é comemorado "o dia da Reforma Protestante", portanto, há 496 anos. Martinho Lutero foi o expoente da Reforma, contudo o movimento não foi iniciado por ele diretamente, houve os bastidores da Reforma. O movimento reformista data da época dos Valdenses. Os ideais reformistas foram levados avante pelos pré-reformadores, homens sérios, pertencente em sua maioria ao clero, voltados para os estudos sistemáticos da Bíblia Sagrada, que se opuseram aos ensinamentos errôneos da Igreja Católica Romana sobre a reverência as imagens, a venda de indulgências, a infalibilidade papal entre outros. E passaram a lecionar ao povo leigo sobre a verdadeira mensagem do Evangelho de Jesus Cristo. Entre eles: Calvino (França), João Huss (Leste Europeu), John Wycliffe (Reino Unido), Zuínglio (Suíça) e John Knox (Escócia). Mas, foi no início do século XVI, o monge alemão Martinho Lutero (Alemanha), abraçando as idéias dos pré-reformadores, proferiu três sermões contra a compra de indulgências em 1516 e 1517. Em 31 de outubro de 1517 foram pregadas as 95 Teses na porta da Catedral de Wittenberg, com um convite aberto ao debate sobre elas. Esse fato é, historicamente, considerado como o início da Reforma Protestante. Em janeiro de 1521 foi realizada a Dieta de Worms, que teve um papel importante na Reforma, pois nela Lutero foi convocado para desmentir as suas teses, no entanto ele defendeu-as e pediu a reforma. Em face disso, deu-se início a Contrarreforma, onde o catolicismo empreendeu ferrenha luta para expurgar os "hereges". Nascia assim a "Companhia de Jesus" (os Jesuítas) e a Inquisição que perseguiram e mataram os protestantes huguenotes culminando no sangrento dia histórico conhecido como "o massacre de São Bartolomeu" na França.

História à parte, a verdade é que se faz necessário repensar a Reforma. Os primeiros protestantes reunirem-se em casas e depois em templos modestos. O ponto alto era a pregação do Evangelho de forma simples, buscando a conversão para o caminho da salvação em Cristo àqueles que estavam em trevas. A Reforma teve o seu valor inestimável, por tudo que representa. Sangue foi derramado e vidas ceifadas por causa dos novos ideais e a bandeira do retorno à simplicidade do Evangelho de Cristo.
Entretanto, atualmente, existe uma crise de identidade no Protestantismo. A começar pelos rótulos. Lembro-me que, na época de criança, que eram chamados de "protestantes", depois de "crentes". Veio o movimento do Espírito, e denominaram-se "pentecostais". Não muito depois, fazia-se uma diferença entre as próprias igrejas históricas e entre as históricas tradicionais e as pentecostais. Até que convencionou-se o nome de "evangélicos". E hoje houve uma subdivisão entre os pentecostais: os históricos, os pentecostais renovados e os neopentecostais.  Agora, a nomenclatura mudou para "gospel" ou o nome da igreja local ou o nome do líder-pastor. Quero dizer, o termo evangélico ainda prevalece, mas se tornou moda identificar o líder ou a denominação.

Na década de 90, ser evangélico era "status". Mas, nos tempos da minha infância ser protestante era marginalizado pela sociedade, principalmente, pela igreja dominante, alguns passavam e nem cumprimentavam pelo fato de ser protestante. O protestante, assim chamado pelo seu protesto e pregação contra o pecado , a idolatria, contra uma vida desregrada, fora da presença de Deus e contra a pomposidade, pregando-se a simplicidade de ser "crente" em Cristo, seja nos templos, casas ou em praças. Época em que as igrejas eram apedrejadas e incendiadas. Os crentes eram apedrejados em praças públicas. O protestante era amado e odiado, ao mesmo tempo. Porém, todos tinham um profundo respeito pelo homem e a mulher protestante. Sabiam que um verdadeiro protestante comprava e pagava, não dava cheques sem fundos, não assinava uma nota ou letra que não pudesse arcar. Cumpria o que prometia e não prometia o que não pudesse cumprir. Eram transparentes em seus negócios e no trato com as pessoas. Viviam uma vida simples, contemplativa e santa (alguns possuidores de diplomas, bens e altos empregos). Hoje, tem alguns evangélicos que nos causam vergonha e ojeriza pelo seu comportamento público repugnante.

Mas, nos tempos atuais, observa-se que esses ideais já se foram, há muitos, esquecidos pelos protestantes hodiernos. São inúmeros e graves, os problemas que nos afetam.  Ensinamentos discrepantes àqueles dos reformadores e muito mais longe dos ensinamento de Jesus Cristo e dos Apóstolos. Os ideais atuais estão voltados para a prosperidade a qualquer custo, os enriquecimentos dos ministros (às vezes ilícitos ou fraudulento), a idolatria pastoral insuflada pelo narcisismo de alguns líderes que gostam de ouvir o som da própria voz, o clero evangélico forte, despreparado e sem temor a Deus, os carros e casas luxuosos e templos imponentes que brilham com o resplendor do sol, quanto maior e mais esplendoroso for, maior prestígio goza o ministro. São as artimanhas políticas engendradas dentro das barricadas clericais, que sempre terminam em desafetos, e pior, prejudicam a Igreja e arranha significativamente o Evangelho. São as cobranças de cachês para pregar e para cantar para homens e mulheres que (com exceção) nunca deram um dia de sangue e suor para a nação. Não que seja contra abençoar o pregador ou o cantor dentro dos limites da igreja, e os tais saibam administrar seu quinhão junto a família. Estou falando de quantias exorbitantes e impostas - "se não der eu não vou". Ou fala que vai e mente descaradamente, indo para outro lugar que melhor lhe convém e satisfaça a sua ganância. E o pior... O povo fica esperando esse tal pregador ou esse tal cantor, que não apareceu. Sem falar naqueles Líderes que entregam o pastorado para outro a troco de grande soma - "de porteira fechada" ou entrega a igreja e vai para outra que lhe está lhe oferecendo maior renda eclesiástica, como se fosse um clube de futebol. Líderes que não se contentam com um título ministerial e criam cada vez mais rótulos nobiliárquicos do clero evangélico.  Como estamos equidistantes da mensagem genuína da Bíblia Sagrada e princípios reformadores e bíblicos.

Por outro lado, não são ensinamentos arminianos, calvinistas, luteranos nem de qualquer outro teólogo, cuja tese tem grande repercussão e discussão, que fazem a diferença do que está certo ou errado na vida cristã ou na salvação do homem. É por essas e outras razões que o espaço não me permite enumerá-las que entendo, e o nobre leitor há de convir comigo, que precisamos urgentemente de salvar a Reforma ou de reformar na Reforma Protestante. Devemos saudar o aniversário da Reforma, mas, não se tem muito para se comemorar. Não está se falando em ser retrógrado, saudosista e ultrapassado.  O que precisamos é retornar aos princípios da Palavra de Deus, voltar a simplicidade e transparência do Santo Evangelho.

Devemos, urgentemente, voltar a pregar em nossos púlpitos, dizendo que Jesus salva, cura, liberta e que em breve virá. Retornar aos princípios reformadores e bíblicos que a salvação do homem é somente pela graça, e somente através da fé, e somente na pessoa de Jesus Cristo, e somente por intermédio das Escrituras Sagradas e, finalmente, somente a Deus criador e sustentador de tudo, seja dada a glória, eternamente. Boa Reforma. Amém.

10 de ago. de 2013

OBREIROS: CONSAGRA OU NÃO CONSAGRA!!



Quando leio alguma publicação sobre ministério, fico a me perguntar: será que este articulista é pastor de campo? Isto é, dirige um rebanho. Ele conhece de fato, as situações boas ou ruins do ministério. Se tem experiências com o povo. Um pastor-auxiliar, por vezes, não tem experiência de ministério pastoral, de direção de rebanho, de povo. Ou ainda , pode haver um pastor, que é chamado de "pastor de gabinete". Aquele que presta consulta em seu gabinete pastoral, como se médico fosse. Entretanto, não está acostumado com o contato com as ovelhas, com o cheiro e os carrapichos das ovelhas. Acaba o culto, se retira para o seu gabinete, onde recebe dois ou três de sua querência.

Então, quando ouço alguém falando ou postando, umas e outras, como se fosse o último biscoito da lata, a última voz que clama no deserto, eu me pergunto se ele está falando da teoria acadêmica ou da prática de campo?

A questão é a seguinte: ou o pastor ora para consagrar alguém e o consagra efetivamente sem medo, sem qualquer temor, ou não se consagra. Não adianta ficar receioso ou duvidoso se  aquele candidato ao Ministério vais ser bênção ou não, se vai ficar no campo e dar fruto para a denominação ou não. Se o pastor ficar com esse tipo de "neura" ele acaba pirando. Vejamos alguns exemplos:da Bíblia: Jesus orou a noite toda, e mesmo assim teve um Judas em seu Ministério. Moisés ouviu o conselho de Jetro e colocou, depois de consultar ao Senhor, 70 anciãos como maiorais sobre Israel, mesmo assim Datã, Coré e Abirão se insurgiram contra ele no deserto. Paulo separou obreiros para o ministério que ele mesmo denominou de cães ou de maus obreiros. E nomeou, para o nosso conhecimento, alguns deles que foram implacáveis contra seu apostolado: Demas, Himineu e Fileto, e Alexandre "o latoeiro", entre outros. Sem contar com a rixa apostólica entre Paulo e Pedro que não eram pequenas.

Assim, quantos líderes foram alvos da leviandade e ganância de homens infiéis? Por isso a Bíblia diz para confiarmos o ministério, a homens fiéis. Entretanto, ninguém traz estrela na testa e, no primeiro momento, todos são bonzinhos, humildes, um servo. Mas, depois que é separado, logo "mostra as unhas" contra aquele pastor.

Evidente que se pode evitar para que se tenha o mínimo desses maus obreiros no ministério ou na liderança da igreja. Agora, é certo que nunca ficaremos sem os maus obreiros, e ele sempre existirão. A minha palavra é: ore a Deus, confie em Cristo e consagre pois, a separação ao ministério passa a ser uma maldição para aqueles que NÃO se apresentarem bem "APROVADO como obreiro que não tem do que se envergonhar."

Bom seria se tivéssemos no ministério somente Timóteo, Tito, Epafras, Apeles, Urbano. Mas, sinceramente, seria sem graça, insosso. E Paulo sabia disso. Sem contar que há pastores que são verdadeiros déspotas, donos do ministério local.Todos abaixando a cabeça para ele com medo. É próprio dos tiranos e ditadores. No Ministério o tratamento cabível é baseado na honestidade, na sinceridade e na franqueza.

Se, porventura, o pastor tem uma pedra no seu sapato ministerial ou está decepcionado pela ter consagrado uma serpente ou um inútil, ore a Deus, não desanime, fique firme. Certamente, o pastor pode transformar essa pedra de sapato em mais uma pedrinha na sua coroa de glória ou a pedrinha será triturada por Deus, em tempo oportuno, se não acertar os passos. A serpente pode virar um bom peixe e o inútil, se tornar um servo fiel e bom.Amém.

12 de jul. de 2013

Os clamores da rua em um país democrático!



A frase "O Brasil não é um país sério", é tradicionalmente atribuída ao presidente francês Charles De Gaulle. Mas, também é atribuída ao embaixador do Brasil na França, durante uma crise entre os dois países, nos anos 60, que ficou conhecida como a Guerra da Lagosta, com a inabilidade do
governo brasileiro de não saber tratar o assunto. (Wikipédia)

Seja quem foi que proferiu essa frase, fica patente que o Brasil pouco avançou nos últimos 10 anos em sua inação em face de situações conflituosas. E não me refiro a contenciosos internacionais, como agora, temos a questão da espionagem americana em terra brasileira. E nesse contexto, querem enganar a quem... Somos sabedores que desde há muitos o governo norte-americano (EUA) tem observado o mundo, e entrincheirado o Brasil através das fronteiras da cobiçada Amazônia. Por que não dizer, muitos cientistas políticos e analistas econômicos consideram o Brasil como vassalo, outros colônia, outros como refém econômico dos EUA.

Mas, essa matéria de espionagem dos Estados Unidos em terras brasileiras vem, segundo analistas, para tirar o foco dos graves problemas políticos, sociais, econômicos e financeiros que perpassam os nacionais brasileiros e foram alvo dos clamores do povo, nas últimas manifestações. Como disse Jô Soares, era só um espirrar, alguém dizia: Saúde! Era bastante para aparecer outros gritando: Educação, Segurança, melhores Transportes!!!


O Clamor das Ruas atordoaram os governantes brasileiros que estavam “deitados em berço esplêndido” e jamais esperavam por uma reação silenciosa e contagiante. O Governo Federal, principalmente, está completamente estonteado. Medidas estão sendo tomadas, no fragor da batalha, sem sustentabilidade jurídica e política. O povo deu um grito de guerra e assustou políticos e governantes com as pautas vindas de assembleias campais, estampadas em faixas, cartazes, camisas e rostos. A reivindicação era o básico de uma nova democracia: EDUCAÇÃO, SAÚDE, MORADIA, SEGURANÇA, TRANSPORTE DIGNO, EMPREGO, ETC.

Quando se fala em democracia no Brasil, a que se entender toda a história que enfronha o assunto. O Brasil já teve império, ditadura civil e ditadura militar, e República. Mas, a propósito, me pergunto nessas horas por que a denominação institucional do Brasil não é REPUBLICA DEMOCRÁTICA FEDERATIVA DO BRASIL?

Assim, o povo pede uma democracia mais republicana, isto é, o devido respeito com a administração da coisa pública, transparência com os atos de governo e sinceridade na comunicação, sem tapeação!!! O que vemos estampado vergonhosamente, saltando aos nossos olhos: a corrupção, a malversação do dinheiro público, os desmandos administrativos entre outras tantas formas de falta de políticas públicas, tem elevado mais ainda esse status de um país que não é sério. E as empresas privadas prestadoras de serviços para a Administração Pública que, excepcionalmente, se locupletam das vantagens dos serviços e erário públicos.

O Brasil é um país de grandiosas riquezas: econômicas, minerais, territoriais, etc. Falta administração pública, constitucionalmente, eficiente. Claro, que temos muita gente lá dentro que são coerentes e competentes. O jogo político-partidário é o que estraga: as benesses, os atalhos e o toma lá da cá.
E as bolsas-assistenciais. Um renomado cientista político disse, recentemente, em entrevista que os planos assistencialistas do Brasil devem existir no mesmo plano em que o governo deve criar garantia de volta ao mercado de trabalho àquele assistido, sem precisar mais das "bolsas-assistenciais". Ocorre que no Brasil assistencialismo público quer dizer paternalismo, sempre usados pelos caudilhos e ditadores para manter o seu país pobre e necessitado deles, para se perpetuarem no governo.

Certa vez, no início da faculdade, a professora de Direito Administrativo, pediu a classe que fizesse um desenho qualquer de como víamos em nossa mente a Administração Pública. Bem... Fiz dois trens desgovernados, nos mesmos trilhos, prontos a se entrechocarem. Um representando o Povo e outro a Administração Pública. A professora disse que depois das aulas veríamos a AP sob uma nova ótica. Certamente, ela estava certa. Aprendemos muitas coisas sobre a Administração Pública. Contudo, a meu ver, os trens continuam desgovernados...

Concluo dizendo que, como cidadão digo que o Brasil tem jeito! Como diz um hino cristão antigo: “Meu Brasil, grande nação, pátria sublime...” Para isso tem que se mudar o conceito de cidadania. Mudar a consciência do povo na hora do voto, a começar por mim.

Como CIDADÃO DOS CÉUS tenho que ter a consciência de orar pelo meu país e pelos seus governantes, “para que tenhamos dias melhores”. (Pr. Ezequiel da Silva)

17 de mai. de 2013

Quando um crente fica enfermo é por que está em pecado?


“Quando um crente fica enfermo é por que está em pecado”. Esse ensino é anti-bíblico, enganoso e com consequências desastrosas.
Por Ezequiel da Silva
hospitalMe preocupa a intolerância dos crentes em face de doença sobre si ou sobre os outros. Todos nós, enquanto estivermos aqui na terra, estamos sujeitos às enfermidades, doenças, vírus, etc. Mas, isso não significa que os que de nós são afligidos, estão em pecado, ou vida espiritual fracassada, ou que se trata de uma maldição, por assim dizer.Claro que não estão descartados os efeitos da teologia da Queda, estudada na Hamartiologia (Doutrina do Pecado na Teologia Sistemática), basta entender o texto bíblico de Romanos 5.12 em que esclarece a entrada da morte no contexto da vida humana por causa do pecado. É preciso ter bom senso, sobretudo bíblico, para não julgar temerariamente uma pessoa (ou seu familiar) por está passando por uma crise, seja ela no campo físico, emocional ou psicológico. Atribuir a esta pessoa em crise de enfermidades ou doenças que ela está em pecado por estar enfrentando uma doença é, no mínimo, assentar-se na cadeira de juiz e determinar a sentença. E, por outro lado, é desconhecer os desígnios divinos específicos para a pessoa enferma. Aliás, como bons "fariseus", os tais julgadores, só vão descobrir a triste sina, quando a situação recair sobre si ou sobre sua família. Como uma diferença, agora, os tais imploram por misericórdia de Deus e reclamam do descaso dos outros para com a sua dor. Inclusive, que nada cometeram para estarem sofrendo assim! Bom… Como diz o adágio popular: “pimenta nos olhos dos outros é refresco”.Poderia desenvolver uma exegese acurada. Mas, sem querer entrar no âmbito da discussão de textos bíblicos, que parecem ligar o pecado à doença (a maioria dos textos e passagens inteiras, são soltas e isoladas), se faz necessário entender o que Jesus Cristo disse: "no mundo tereis aflições…" (João 16.33). A expressão “aflições” tem a mesma raiz de “tribulação” (thlipsis, gr.). O Senhor não prometeu "mar de rosas" para ninguém que quisesse seguir o Evangelho. Nem as epístolas – a Bíblia como um todo – confirmam que os crentes viveriam em "céu de brigadeiro". Estamos num corpo físico e num plano terrestre, suscetíveis às doenças, aos vírus, às bactérias e diversas enfermidades. É natural que um ser humano (inclusive crentes) seja atingido por uma ou outra. Algumas doenças são temporárias, outras de longo prazo, algumas são enfermidades que até levam à morte. E, então, a morte é o fim para os que servem a Deus? Somos tão fatalistas, que desconhecemos o poder curador e remidor de Cristo? Jesus disse: "Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus" (Mateus 22.29). Será que pregamos uma coisa e vivemos outra? Ora, não é a fé que nos levará a ser curados por Jesus? Mas, a Fé envolve três importantes aspectos: Fé Natural, Fé Salvadora ou Salvífica e Fé como Dom Espiritual.

Levemos em conta também o lado da provação de Deus sobre o crente. O Senhor, às vezes, coloca a nossa fé em prova (como fez com vários personagens da Bíblia). E quantos de nós pecamos, porque blasfemamos contra o Senhor, alegando para Ele a nossa adversidade. Que Ele se esqueceu de nós e assim por diante… Então, vejamos, e se o crente não receber a cura e/ou morrer (ou até um membro de sua família) em consequência de uma doença? É por causa do pecado? Nem sempre! Admitir isso é julgar. E só quem pode julgar vivos e mortos, unicamente, é Deus (2 Timóteo 4.1; 1 Pedro 4.5). Por óbvio, ainda que o crente venha a morrer, e se estiver gozando de saúde espiritual, operou nele a fé salvadora. Deus, em sua soberania, não o permitiu permanecer na terra dos viventes, mas, o elevou ao pódio da glória eterna, através da fé. Paulo, o apóstolo, concluiu “combati o bom combate, acabei a carreira, e guardei a fé” (2 Timóteo 4.7). O problema é que nós não queremos enfrentar a morte. E isso é fato! Então, teólogos pós-modernos criam doutrinas insustentáveis biblicamente, a fim de tentar equacionar o "mistério da fé". Isso não quer dizer que não devemos lutar com as nossas forças humanas para combater a enfermidade. Não está se dizendo que não deva exercer a fé para ser curado. Também, não está se admitindo, que por causa da soberania divina, devo cruzar os braços e aceitar a desdita. Não é assim que a Bíblia ensina. Lembremo-nos que há doenças que são para a glória de Deus.


O foco dessas linhas é advertir ao leitor que não podemos, em hipótese nenhuma, atribuir pecado, maldição ou qualquer outra teologia, sobre quem está enfermo. Se assim fizermos passamos de súditos do Reino, para juízes do Reino. Não seja um "fariseu moderno" disseminando por aí que seu irmão está em pecado por estar enfermo. Mesmo que o fosse, a sua obrigação é a de orar por ele, pois, nesse Reino não há lugar para dois juízes. Só há UM. Leia a Bíblia. Estude-a.

Edição: Searanews (Facebook). +Pr. Paulo Pontes 

23 de abr. de 2013

TERRORISMO DO PÚLPITO E A PREGAÇÃO CONTEMPORÂNEA


TERRORISMO DO PÚLPITO E A PREGAÇÃO CONTEMPORÂNEA
 Por: Pr. Ezequiel Silva
Toda forma de terrorismo é repudiada: político, social, religioso, bélico, extremista, etc. Porém, tem uma forma de terrorismo que está sendo muito usada, por alguns "pregadores" nos púlpitos cristãos, que chamo de TERRORISMO DE PÚLPITO.  O que significa isso? É quando o pregador vocifera do púlpito palavras de ordem, chavões ao seu público que: se ele não fizer isto ou aquilo, estarão sujeitos ao fogo do inferno. Entre outras, por exemplo: “quem não pular ou falar em línguas hoje, neste culto, Deus vai jogar no leito”; “se você não contribuir com R$X, vai ficar doente”, e por aí vai.  É cada absurdo! E o pior: alguns usam o nome de Deus para chancelar a sua vaidade pessoal. 
O Terrorismo de púlpito é inaceitável e igualmente repudiável, pelas seguintes razões: 1) desqualifica o poder salvífico do Evangelho de Cristo (que é "o poder de Deus para salvação de todo que crê" - Romanos 1.16), 2) atemoriza as pessoas que ouvem (Cristo mesmo disse: "a minha paz vos dou [...], não se atemorize." - João14.27), 3) aliena o crente, 4) constrange  o ouvinte e, 5)  envaidece o "pregador".
 Pregadores há que precisam sentar e ouvir alguns anos antes  de sair pregando por aí, travestidos de imitação, “unção”, rouquidão e roupagem de outros pregadores ditos “famosos” e não revestidos do Espírito Santo de Deus. Não que eu seja contra os pregadores novos (deve-se começar cedo). Entretanto, quando comecei a pregar e depois casei-me,  fui diácono, presbítero da igreja, a minha esposa me incentivou a ir com ela para o seminário, e fomos!!... Pregadores há que precisam aprender a pregar primeiro, não só noções de homilética, eloquência e retórica, também  de  educação para falar (tem uns que berram!) e falar  em público, conhecer também, o mínimo do vernáculo  (em nosso caso, a Língua Portuguesa) para depois usar o microfone em público. Não estou excluindo o chamado de Deus. Não! Absolutamente. Contudo, Deus chama a quem ele quer, mas cabe ao pregador saber lidar com as ferramentas a sua disposição: 1) Bíblia, 2) oração, 3) sabedoria, 4) o mínimo necessário de conhecimento teológico. 1) A Bíblia está aí em várias versões, tipos e modelos. 2) A oração deve ser uma prática de comunhão. 3) A sabedoria vem de Deus, a quem se pede ( leia Tiago 1.5) e 4) conhecimento  bíblico e teológico, é indispensável. Como vai pregar o que não conhece. Aí diz o incauto: Mas, Jesus falou para não se preocupar que na hora seria concedido o que falar. Pois é, se conhecesse Bíblia e as disciplinas teológicas: homilética, hermenêutica e exegese, não citava um texto fora do contexto. No texto em questão (Mateus 10.19), Jesus consola os discípulos, no caso deles serem presos por amor do Evangelho, diante do juiz, onde não haverá Bíblia,  estudo  teológico, etc, só oração. Então, naquele momento seria concedido, pelo Espírito de Cristo, o que falar. E o Salmo 81.10..., trata-se de uma poesia relembrando o cativeiro do Egito e falando da obstinação do povo de Israel. O indicativo ali é para se encher da lei de Deus.
 Há que se levar em conta que estamos a pregar o Evangelho para pessoas do Séc.  XXI: pessoas com outras motivações, e que não veem na pregação ou no pregador, um atrativo para aceitar o Evangelho, se não fosse a misericórdia do Senhor. O que se tem visto e ouvido são: Mensagens de persuasão; de autoajuda; de apelo emocional (somente), de triunfalismo  (Deus vai te dar, vai te levantar,  vai tirar do calabouço,etc.). Aí alguém diz: mas o povo quer ouvir isso. Eu digo que não: o povo vai acostumar ouvir o que se prega. Comece a pregar a mensagem de Cruz, ou a palavra doutrinária, edificativa, exortativa e consoladora, com as qualificadoras acima apresentadas, e veja o resultado. AH!  Mas, se não tiver um gritinho, um pulinho, línguas, não está bom. Serei taxado como pregador frio. A experiência tem me mostrado nesses 23 anos de ministério, 14 anos de pastorado, que mesmo nas mensagens evangelísticas ou doutrinárias, a igreja sente a Graça e o Poder de Deus. E quem convence o pecador é o Espírito Santo e não a mera eloquência persuasiva do pregador. Devo dizer (por um dever de consciência) que as mensagens dos púlpitos evangélicos tem melhorado e muito. Jovens, pregadores e pregadoras, tem se esforçado por aprender primeiro.
 A mensagem bíblica contemporânea tem-se mostrado improdutiva, por assim dizer, por alguns motivos: tem-se apresentado o pregador (com roupas e sapatos que mais parecem uma estrela de cinema) e não a Cristo; tem-se trocado a sabedoria bíblica que vem do alto pela sabedoria humana que é “terrena, animal e diabólica" (leia Tiago 3.15);  tem-se preferido a mensagem intelectual a poderosa mensagem bíblica. Poderosa aqui não se traduz em berros e gritaria, e chavões e palavras de ordens.Paulo disse enfaticamente: “A minha palavra, e a minha pregação, não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder...” (1Coríntios 2.4). Tem-se  esquecido da mensagem do calvário, a mensagem essencialmente bíblica,  com demonstração de resultado positivo: salvação de vidas, curas divinas, libertação, edificação, vidas consoladas e exortadas. O que se tem trazido para os púlpitos,infelizmente, é comida de má qualidade, arranjos homiléticos, pregações copiadas  de internet, livros, etc. Ou,ainda, a pregação que agrada aos ouvidos. Há muitos, já  se ouvia dizer: “o pregador fala o que Deus quer que ele fale e não o que os outros querem ouvir”. Esta é a visão do autor Dennis F. Quinlaw, do livro “Pregação no Espírito” (Ed. Betânia): “O pregador busca algo além do que a energia humana pode produzir.” – Um pregador da Palavra não pode basear-se na experiência de outros, se quiser pregar com poder; tem que buscar sua própria experiência. 
A pregação contemporânea precisa mostrar que o Evangelho é novidade de vida, que ser crente não é estar enrolado numa bandeira denominacional. Mas que é uma transformação de vida – da velha para uma nova em Cristo. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2Coríntios  5.17)

(Continua)... Até breve na Santa Paz!




16 de fev. de 2013

Pequena reflexão sobre a renúncia do Papa Bento XVI



BENTO XVI o líder da Igreja Católica Romana anuncia a sua renúncia. 

Conhecido pela sua rigidez dogmática, Joseph Ratzinger, o papa Bento XVI, anunciou sua renúncia ao “trono de São Pedro”. O Vaticano insiste que a decisão do papa não foi gerada por pressões internas. Evidente que é muito cedo para uma análise, mas, o catecismo da ICAR não abre portas para os eventos da vida cotidiana de seus fiéis, que estão fora do seio da igreja por causa de seus problemas sociais, conjugais e até de cunho pessoal. Além da imposição do celibato para os sacerdotes e a enxurrada de denúncias envolvendo o clero: abuso sexual, pedofilia e corrupção. Será que não houve pressão interna. Sim, Bento XVI (pp.) não tem o veio carismático e político que legou o seu antecessor por mais de 20 anos a frente da ICAR, apesar de ser renomado doutor em Teologia e consagrado afirmador da doutrina da fé católica, afinal, foi o prefeito da Congregação da Fé do Vaticano.

Mas... Qual será o perfil do novo papa? Moderado? Conservador? Liberal? Muito embora a Santa Sé não confirme doença específica, mas a alegação da renúncia é de preservação da saúde do papa Bento XVI.

Destarte, fico a pensar com meus botões sobre a atitude do sumo pontífice em relação ao poder. E quantos dos nossos líderes evangélicos deveriam ter passado o cajado há muito tempo, contudo, preferem ficar no poder até serem carregados pela alça do caixão a ver a igreja avançar por outro líder. Renunciar não é um descalabro, é uma atitude digna, sempre entendendo que a Igreja tem um Dono - Jesus Cristo. 

Por enquanto é isso, volto ao assunto com mais profundidade, no que diz respeito a reflexão sobre a nossa forma de liderança. 

Na Santa Paz de Cristo.

Veja também:

http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=2174828463554366051#editor/target=post;postID=2908947859964693269

23 de jan. de 2013

A POLÍTICA NAUSEANTE DO SISTEMA ECLESIÁSTICO


A POLÍTICA NAUSEANTE DO SISTEMA ECLESIÁSTICO.



Vamos combinar: o sistema político-eleitoral das convenções ou dos concílios eclesiásticos, está se tornando nauseante, principalmente, no que tange a escolha da liderança eclesiástica maior, seja em nível regional ou nacional. Em todas as representações denominacionais evangélicas há graves problemas nos itens: gestão administrativa e fome de poder. Evidente que cada convenção ou concílio tem o seu sistema para eleição do presidente e da mesa diretora e forma de governo estatutário. Bem... Parafraseando o Divino Mestre: onde reside o poder ali está o coração do homem. 

Fico me perguntando, o que pessoas que se dizem despenseiros de Deus, independente da denominação, não fazem para se manterem no poder, assentados na cadeira do meio ou a cátedra mais alta das mesas diretoras de convenções e concílios. E os acordos, os conchavos, os encontros, as fachadas fraudulentas, as gestões administrativo-financeiras mascaradas e os escândalos que surgem em decorrência da malversação do erário eclesiástico. Já dizia o filósofo: "dê o poder ao homem e saberás quem é este homem!" A situação é caótica; tudo por causa de status e manejo financeiro. 

Não quero dizer com isso, que o sistema do sacro colégio cardinalício romano não tem, também, as suas graves dificuldades. É claro que existem os acordos, os conchavos, o desejo do poder! Afinal assentar-se no “trono de Pedro” é governar praticamente o mundo. 

O Conclave Católico se reúne no Vaticano a portas fechadas (o último, em 2005, com pouco mais de 160 cardeais votantes). Os cardeais são mantidos em total isolamento do mundo exterior: não podem usar telefone, internet, receber jornais, ver televisão, etc. Contudo, certamente que entre eles, há uma costura política, para a indicação do Sumo Pontífice. Mesmo que haja uma pausa para orações para a eleição. Além das fontes informativas católicas, a leitura do livro “As Sandálias do Pescador”, de Morris Westt dá uma ideia geral dos bastidores do Conclave.

Entre as convenções e concílios evangélicos, salvo raríssimas exceções, a campanha eleitoral em nada difere da partidária secular e, às vezes, com tons mais venenosos, a ponto de se atacar a moral e a dignidade dos candidatos para que, a qualquer custo e não importa como, o candidato A ou B chegue ao pódio do poder eclesiástico. Chegam às raias da falta do respeito humano, sem dizer o espiritual, isto é, são pares que se digladiam, ferindo princípios e noções do sacerdócio bíblico eclesiástico e da ética ministerial, afrontando franca e deliberadamente a unção espiritual que está sobre todos os ministros do Evangelho participantes. Infelizmente, a situação não fica só entre os candidatos, contaminam também, correligionários, simpatizantes e partidários. Ah... Sem contar os "santinhos", "profetinhas", bottons e bandeiras; cabos, sargentos e até coronéis eleitorais. É notoriamente execrável. Mas, o pior mesmo, é o coronelismo hereditário. como se fosse terras de café, fazendas de gado. As coisas perderam o rumo. O trem desgovernou faz tempo.

Pensar que isso vai mudar é utopia; faz parte da história do poder. A menos que, mude a mentalidade dos ministros mais novos, E estes sejam comprometidos com o Reino de Deus, busque-o em oração com um coração contrito, que sejam desvencilhados do cordão umbilical do sistema nepotista e coronelista religioso evangélico.

Sobretudo, que os novos ministros que estão chegando devolvam a glória que é somente de Cristo Jesus e sejam tementes ao Rei e Senhor do Reino Eterno. E que tenham também, um desejo ardente pela proclamação do Evangelho no País e no mundo. Pois, com toda sinceridade, não é assim que está ocorrendo; não é assim que os “velhos caciques” já empoeirados e entenebrecidos pelo status quo do poder, estão procedendo, atualmente. Entretanto, para isso, os novos ministros chegantes, precisam colocar o “nome na praça”, serem corajosos, audaciosos, intimoratos, sem arrogância e pretensões espúrias. 

O sistema político eclesiástico está bem longe daquilo que lemos sobre os apóstolos de Cristo no livro de Atos, quando do primeiro concílio em Jerusalém: "Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós…" E, ao final, uma oração elevada aos Céus, pela certeza de que foi feita a VONTADE de Deus. É o que penso. Oremos, pois irmãos!

2 de nov. de 2012

DIA DE FINADOS - Algumas observações.

DIA DE FINADOS - Algumas observações.

O que dizer do "dia de finados" ou "dia del muertos" (América latina). Com todo respeito aos parentes e à memória dos entes queridos que faleceram (eu mesmo tenho queridos mortos), mas é histórico o engodo da religião em querer colocar marcas em terreno que já foi definido biblicamente. 

Uma religião que se diz cristã e bíblica jamais venderia (e literalmente) uma ideia falsa e equivocada sobre àqueles que faleceram, a fim de conseguirem algum ganho, através de paga de orações, rezas e indulgências. A Bíblia Sagrada é uma só (Versões variadas) mas é uma só. Se numa ou noutra versão, seus tradutores e ensinadores subtrairam ou acrescentaram, do manuscrito fiel, alguma coisa, esses tais encontrarão o severo juízo de Deus (Ap 22.18 - "Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro")

Algumas passagens sobre o que diz a Bíblia sobre os mortos:

"Porque na morte não há lembrança de ti; no sepulcro quem te louvará?" Salmo 6.5 - Os mortos não prestam cultos à Deus, nem dele se lembram e tampouco o louvam.

Sendo Deus Soberano, Criador e Doador de toda boa dádiva ao gênero humano. Pelo seu eterno poder "Deus não é de mortos, mas sim é Deus de vivos." E Jesus destacou: "Por isso vós errais muito." Mc 12.27. E mais, nas palavras paulinas: "Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino!" - 2Timóteo 4.1

Nada mais se pode fazer por aqueles que já faleceram, por mais que uma religião imponha tal tradição. Quem é maior a Bíblia ou a Tradição? Cristo ou a Religião?? Veja o que é dito sobre os mortos: "E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo." Hebreus 9.27. Morreu segue-se o juízo, onde vamos prestar conta de tudo que fizemos aqui na terra enquanto vivos. Morto não volta, morto não fala, morto não aparece. Tais mortos aguardam a ressurreição para a vida eterna ou para a perdição eterna. Veja Daniel 12. 2,3: "E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno. Os entendidos, pois, resplandecerão, como o resplendor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça refulgirão como as estrelas sempre e eternamente." E ainda confirmado por Jesus: João 5.27,28e29: "E deu-lhe [a Cristo] o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do Homem. Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida, e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação."

O Juízo Final (chamado de Trono branco) é onde ocorrerá tal julgamento: "E vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; e abriram-se uns livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida; e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras." Apocalipse 20.12

Ora, se estamos aqui nessa Terra não é sem propósito, para depois que morrer acabar tudo, como pensam os filósofos. Temos uma faculdade espiritual (alma e espírito) que prestarão contas de seus atos terrenos. O corpo é só um invólucro dessa parte imaterial ou espiritual. O segredo é o que descreve o autor do Apocalipse 14.13: "E ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem dos seus trabalhos, e as suas obras os sigam." Porque para Deus: "Preciosa é aos olhos do SENHOR a morte dos seus santos." Salmos 116.15. 

Assim quanto aqueles que estão vivos, recomenda a Bíblia:
Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra, nem indústria, nem ciência, nem sabedoria alguma. Eclesiastes 9.10

MEUS PROFUNDOS SENTIMENTOS A TODOS QUE CHORAM A MORTE DOS SEUS ENTES QUERIDOS!

6 de out. de 2012

Siga o seu coração!?


Siga o seu coração!?



Tenho me preocupado, ultimamente, com frases postadas por muitos nas redes sociais com as palavras: "SIGA O SEU CORAÇÃO". Ora, a Bíblia Sagrada é clara em afirmar que "enganoso é o coração… Quem o conhecerá” (Jeremias 17.9). Então, há que se entender que, quem segue o próprio coração, pode estar seguindo por um caminho equivocado: "há caminho, que parece direito ao homem, mas o seu fim são os caminhos da morte." (Provérbios 16.25). Do ponto de vista bíblico o coração do homem deve ser guardado para as saídas da vida que lembra-nos as fontes d'água, neste caso as fontes da vida, i.é, onde a vida se propaga.
As saídas do coração, na mente, são os nossos pensamentos, ideologias, bondade, malignidade, etc. "Sobretudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida." (Provérbios 4.23). Uma coisa é sentir espiritualmente aquilo que vem de Deus, através de profetas sob o crivo e somente sob o crivo da própria Bíblia, outra coisa são as impressões internas do coração. Lembra-se que o coração é simplesmente um músculo, porém tem o significado judaico-cristão de âmago, da alma, da mente do homem, o centro diretivo das ações do homem. Mas, logicamente, o coração apenas responde a impetuosidades dos pensamentos da mente.
As impressões advindas do âmago, alma ou mente humana podem estar eivadas de enganos, equívocos, erros que, quando em vez, não tem como consertar, tamanho o estrago feito em diversas áreas da vida. Só o homem espiritual consegue discernir entre o divino e as impressões do coração. O famoso Albert Einstein disse um dia: – "[...] não é o poder explosivo de uma bomba de grande potência que nos assusta, mas o poder maligno do coração humano."
O Iluminismo e o Humanismo do séc XV a XIX, descrendo da Fé e da Igreja, trouxeram uma perspectiva voltada para a teoria de que o homem está no centro de todas as coisas, o antropocentrismo, "o homem ser o centro do pensamento filosófico", excluindo a ideia de "Deus no centro do pensamento filosófico". Tal teoria era diversa do ensinamento bíblico medieval, que aniquilava o homem comum, porém "exaltava" Deus e o Clero (este quase que no mesmo patamar de divindade – se não fosse acima do próprio Deus). Com isso, o homem afastado de Deus e dos princípios bíblicos procurava atender as demandas e necessidades do coração, seguindo o que a intuição mandava. O problema é que a maioria das vezes dava com "os burros n'água".
O Evangelho contemporâneo associa a razão com a devoção, ensinando que Deus não interfere no livre-arbítrio (livre-agência) do homem. Contudo, traz a responsabilidade e consequências dos atos praticados para o próprio homem. Assim, como equacionar essa situação? A palavra que sempre foi rechaçada pelo Humanismo – FÉ. Como a fé desenvolve-se neste contexto, ou seja, de realizar seguindo ou não o coração? Simples, e simultaneamente complexo quando se vê pela ótica do racional-devocional. Explico: primeiramente, entender que Deus deve está no centro da vontade humana e que dá liberdade de escolhas ao homem. Compreender que Deus está no controle de todas as coisas. Persistir em colocar na mão de Deus todas as coisas e o deixar assumir o controle de sua vida, escolhas e vontade. Isso não implica cruzar os braços e pronto… Apertei o botão de comando e Deus faz tudo. Não é assim que funciona, não é mágica, é a fé em ação. Enquanto, colocamos Deus na frente de nossos projetos, trabalhemos, façamos a nossa parte. Sem deixar de buscá-lo em oração e meditação da Palavra. Considerar que Deus não é obrigado a fazer o que você quer. E sim aquilo que está na vontade dEle. Entender que os pensamentos de Deus não são os nossos pensamentos e nem os caminhos de Deus são os nossos caminhos no dizer do profeta Isaías 55.8,9. Perceber que se fizéssemos sem a orientação do Senhor a probabilidade de erros seriam maiores, como grandes as consequências. É o que acontecem com aqueles subestimam o poder de agir de Deus, e se colocam à Sua frente e fazem o que acham que está certo, seguindo o seu coração. Os bens da vida são bons, porém, "onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração". (Mateus 6.21) Este princípio bíblico vale para tudo.
Concluindo, Deus não é egoísta que não quer que ninguém seja feliz, ou não realize os sonhos, os projetos. Ao contrário, Ele mesmo inspira o salmista a escrever: "Deleita-te também no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração." (Salmo 37.4). Então cuidado em seguir o seu coração. Siga a vontade do Senhor mostrada na Bíblia Sagrada e seja feliz. 
Medite: "Não se desvie para os seus caminhos, o teu coração, e não andes perdido nas suas veredas" [Pv 7.25]
"A solicitude no coração do homem o abate, mas uma boa palavra o alegra". [Pv 12.25]

"[...] pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca." (Mt 12.34b)

É isso!!!

escrito por Pr. Ezequiel da Silva

Bacharel em Teologia,Bacharel em Direito, Conferencista, Educador Cristão e Pregador do Evangelho. Pastor, líder da AD-Central em Cachoeiro de Itapemirim-ES. Diretor e Professor do SEMEC – Seminário Evangélico Mensagem da Cruz. Diretor e Professor do SETEADEC – Seminário Teológico Evangélico da Assembléia de Deus Central

ELEIÇÕES. Reflita sobre isso.


ELEIÇÕES. Reflita sobre isso.





Como formador de opinião, sinto-me na responsabilidade de me dirigir a todos os evangélicos, aos leitores do Seara News em geral, para expressar minha opinião sobre as ELEIÇÕES. O que vou falar aqui, claro, tem as suas exceções, reservadas as proporções, considerações, observações, ponto e vírgula, vírgula, etc.
Estamos na semana da democracia quando, no próximo domingo, dia 07 de outubro, o povo brasileiro estará indo às urnas eleitorais para escolher os seus representantes da municipalidade: Prefeito e Vereador. É tempo de reflexão no que diz respeito à SAGA DA CORRUPÇÃO nas suas mais diversas formas, principalmente, em tempo de Eleições gerais ou municipais.
Por muitos anos, os evangélicos, regra geral, foram considerados como "massa de manobra", "povinho de quinta", "farelo do fundo do saco". Nas Eleições os candidatos se aproximavam (e ainda se aproximam) das igrejas, com o intuito de fazer acordos, muitos destes espúrios e desonestos, com os líderes das igrejas que se deixavam envolver pelas falsas promessas ou por benefícios dados diretamente ao líder. O líder ou por esperteza ou por inocência (ficaremos com o benefício da dúvida…) lançava o candidato à tira-colas e o levava a presença dos santos em suas reuniões de adoração. O camarada profano, quase sempre tinha saído de um lugar profano e em chegando ao culto ao Senhor, era chamado a se assentar nos sagrados (deveria ser!) púlpitos das igrejas evangélicas. Um lugar em que deveriam assentar-se Ministros consagrados do Senhor, lugar de se trazer a revelação da Santa Palavra do Evangelho, torna-se um lugar promíscuo. Eu não diria um covil de bandidos e salteadores (iiiiihhh, falei. Pronto). O Espírito de Cristo que é santo está se revolvendo-se no trono em asco, ojeriza, nojo e profunda ira por conta da profanação que se faz ao santuário e ao seu santo púlpito.
E pior, ao apresentar o candidato, o líder só faltava colocá-lo ao lado direito de Jesus no céu, sendo contemplado por querubins e "anjinhos". Isto, para não falar que quase sempre, o líder apresentava, em dias diferentes, três ou quatro candidatos como sendo "o seu candidato e da igreja", incentivando num discurso inflamado para os irmãos votarem naquele candidato do dia, pois ele tinha ajudado a igreja. Pasmem! Tais líderes nunca discursaram ou pregaram tão efusivamente para ganhar vidas para Cristo. Hipócritas! Não sabem esses líderes que, ao saírem do culto, tais candidatos voltam para suas rodinhas profanas, zombando da Noiva do Cordeiro e daquele que deveria portar-se como sacerdote do Deus altíssimo e que, neste ato, está em falha diante do Senhor. Oh não! Deus está a punir adultérios e outros pecados "cabeludos", dizem. Mentiras e corrupção, não! Até aonde se percebe, na farra da corrupção, há corruptores e corruptos. Estes são presas da teia da corrupção. Aqueles estão à espreita de achar o primeiro "trouxa" (desculpe-me, é o que eles acham de nós!) que aparecer, pedindo um caminhão de brita, telhas, um milheiro de lajota, etc., para "ajudar" na construção do templo. A corrupção não é só "dinheiro na cueca", malas de dólares. Ela está também circundando os púlpitos, pervertendo as mentes incautas dos líderes.
Cadê a tão pregada fé, crer no invisível, a prosperidade; será que Deus não é mais dono do ouro e da prata? Bem… Deixemos isso, por enquanto.
Hoje, este quadro, graças a Deus, está sendo, aos poucos, revertido. Uma nova safra de líderes e membros, comprometidos com o Reino, se erguem contra tais acordos e não se quedam à negociatas. As igrejas evangélicas, em sua maioria, estão mais politizadas, com uma membresia mais racional, aculturada. A postura da igreja, atualmente mudou, não é mais influenciada pelo juízo alheio.
O Culto é sagrado, é divino, é para o Senhor, para Sua única e exclusiva adoração. Se o candidato, servo de Cristo, for convidado para se fazer presente que seja recebido como servo de Cristo, inclusive se oficial for. Se o candidato não for servo de Cristo que seja recebido também com honra, como ordena a Bíblia, mas, não é necessário levá-lo para o púlpito; ele pode ficar, à frente em lugar reservado, junto aos demais irmãos. Procure conhecer as propostas do candidato e ao final do culto, o líder faz menção das reais pretensões, e que as propostas daquele candidato estão à disposição de todos para serem apreciadas, sem induzir a igreja a votar neste ou naquele candidato.
Irmão e irmã, não negociem a sua consciência e o seu voto. Vote consciente! Não por uma lajota, um saco de cimento, ou um benefício aqui ou ali. Se faz necessário, vir a proposta do candidato se esta: traz benefícios para a população? É coerente com a Bíblia? Satisfaz a coletividade?
O que dizer do cristão evangélico na política partidária. É imprescindível e urgente. Temos que ter representantes crentes, compromissados com a ética bíblica para servir a comunidade; e não compactuar com acordos mesquinhos, beneficiando a igreja local ou setorial. O candidato do Executivo ou do Legislativo (Parlamento) uma vez eleito, no exercício de seu mandato, não pode usar de suas prerrogativas só para ajudar a igreja. O povo evangélico está inserido no contexto social (polis) em que o político trabalha (ou devia) em prol de todos e para todos (princípios basilares da democracia). Aristóteles, em sua famosa obra "A Política" define o cidadão a partir do direito de voto: "Portanto, o que constitui propriamente o cidadão, sua qualidade verdadeiramente característica, é o direito de voto e de participação no exercício do poder público em sua pátria".
Todavia, se o crente desviar a sua conduta ética, moral e cristã quer no Parlamento quer no Executivo, deve ser disciplinado pela igreja. Eu vou um pouco além (meu pensamento!) se um pastor-presidente, apóstolo ou bispo se candidatar, deve deixar compulsoriamente a administração direta da igreja que preside, podendo retornar se não for eleito ou quando terminar o mandato. Desculpe-me quem pensa diferente, mas, a meu ver, água e óleo não se misturam. A política e Igreja estão equidistantes anos-luz, institucionalmente. E todos sabem disso.
Tem outra coisa: é inadmissível, inaceitável que profetas ou profetisas do Senhor (quando o são) emprestam a suas bocas para profetizarem, em nome de Deus, a vitória desse ou daquele candidato. Absolutamente. Não brinque com o Espírito de Deus e com o dom que há em ti, PROFETA. Ora, convenhamos: se existe uma eleição com voto secreto, que depende da vontade do povo, porque Deus vai interferir, nesse caso, no processo humano para agradar uns e aborrecer outros. Se fosse assim não precisava de eleições com voto secreto, era só subir "Betel" que o profeta falaria – estás eleito, assim diz o Senhor. Profeta ou Pitonisa??!?? Creio sim, no controle universal de Deus em todas as coisas prevalecendo a Sua santa, perfeita e agradável vontade. Pare de bobice ou devaneios interesseiros, pois, "horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo." (Hb 10.31).
Contudo, para conhecer a vontade de Deus, neste caso específico das eleições no Brasil e nos países democráticos, o povo tem que ir às urnas, em uns países o voto é obrigatório (como no casso do Brasil) e em outros não. O Brasil não é um país teocrático e, sim, uma nação democrática e laica (onde o Estado não tem uma Religião definida); e cá prá nós, Deus respeita isso!! Nem Israel é mais uma teocracia (ainda que creiam no Deus vivo – Deus de Abraão, Isaque e Jacó). Israel é uma nação parlamentarista, desde 1948, através do Knesset judaico. E Deus respeita isso!
Agora, companheiro Ministro do Senhor, nunca, jamais, se envolva ou envolva a igreja de Cristo em corrupção, escândalos, vantagens e outras mazelas que aparecem nestes tempos eleitorais. O líder e o rebanho são de Cristo e é ELE quem cuida de sua Igreja.
Concluindo, não peço desculpas pela forma franca com que abordo o assunto, olhando para mim mesmo, pois estou sujeito a falhas, sendo imperfeito como sou. Cumpra o seu dever como cidadão desta terra, sabendo que somos cidadãos dos céus, herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo. # Fica a dica. #
Ezequiel Silva é pastor, teólogo, bacharel em Direito e articulista.
escrito por Pr. Ezequiel da Silva
Pr. Ezequiel da Silva
Bacharel em Teologia, Conferencista, Educador Cristão e Pregador do Evangelho. Pastor, líder da AD-Central em Cachoeiro de Itapemirim-ES. Diretor e Professor do SEMEC – Seminário Evangélico Mensagem da Cruz. Diretor e Professor do SETEADEC – Seminário Teológico Evangélico da Assembléia de Deus Central